CAPITÃO RAPADURA 40 ANOS – OU COMO AS COISAS PODEM MUDAR A GENTE.

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Eu pensei muito antes de escrever esse texto. Mesmo agora, quando as letras (em sua mordaz brevidade) surgem na tela, eu ainda tenho dúvidas se ele deveria ser escrito. Eu me privei de muitos comentários sobre a obra Capitão Rapadura 40 anos, a qual, com muito zelo e às vezes temperança e um pouco de desistência, dediquei quase dois anos da minha vida (e argumentação) pra ver acontecer, porque sempre acreditei que não fosse minha (na verdade, ainda acho isso), afinal, o personagem foi criado pelo Mino e minha história é uma das mais curtas, somente 4 páginas, e salta mais aos olhos o trabalho do impressionante Cristiano Lopes que o meu texto. No entanto, olhando agora o trabalho terminado, a edição concluída, a beleza de como está, é impossível eu não me furtar a algumas palavras.

Antes de tudo é preciso que eu agradeça a todos os autores que participaram, e eles não são poucos. São 25 artistas cearenses, todos com alguns anos de experiência na área e que poderiam, educadamente ou não, negar terem participado do projeto. Simplesmente porque tomaria seu tempo, muitas vezes tão curto, e porque do primeiro momento até um pouco antes dos três últimos meses do projeto, não havia perspectiva nenhuma de que o álbum seria editado, por isso, recebi muitos “nãos” antes de receber os “sims”.

Por um instante cheguei a não acreditar – mesmo com toda a empolgação de vários autores que me pediram guias de personagem, material de pesquisa, dicas e opiniões – até receber os primeiros layouts. Mesmo naquele momento eu duvidava um pouco,  com aquela sensação de: “será que tem mais além daqui?”. Teve: páginas. Pessoas que fizeram o trabalho em aquarela, mantiveram o preto em branco, usaram técnicas de computador, retículas, montaram equipes… Foi tanta coisa e tudo tão lindo que meu desejo em ver aquilo pronto logo se exasperou. Revi contatos, procurei pessoas, fiz ligações, analisei editais. Apesar do belo trabalho em mãos, ainda havia dúvidas e dúvidas costumam ser respondidas com negativas.

Nesse ínterim, recebi o trabalho de outros autores e, pela primeira vez, vivi o teste de negar artes ou mandar voltar trabalhos. É um momento bem delicado do editor fazer isso, mas é preciso. Quem cuida do projeto sabe o rumo que ele está tomando, por isso é preciso evitar “ruídos” ou trabalhos que não se adequam ao escopo final pretendido. Alguns receberam com profissionalismo, outros nem tanto, mas o pior é quando a informação passa por terceiros e a correção chega como uma negativa e bons trabalhos são deixados de lado porque uma comunicação clara não foi mantida. Isso é uma grande pena mesmo.

Enfim, entrando 2013 – o ano em que a edição deveria ser lançada – novo fôlego foi erguido, influenciado pela boa recepção do público à apresentação da obra no dia do quadrinho nacional, mas depois veio fevereiro e as coisas parecem ter sido deixadas de lado e o desejo amornou de novo. Projetos pessoais tomaram a cena e o Capitão Rapadura sofreu nova derrota, compreensível em certos pontos, mas não menos frustrante.

A partir desse ponto eu estava desesperançado. Os artistas, não quero nem pensar. Tenho certeza que pra eles a coisa toda soava como um deja vu: mais um projeto que não dava certo, mais tempo perdido, mais uma aposta vencida. Comecei a sentir pena de mim mesmo por ter acreditado tanto e, pessoalmente, sentia minha credibilidade abalada. Minha esposa me olhava e dizia: “vai dar certo. Tenha fé” e tudo o que eu pensava era “a fé me trouxe aqui, nesse deserto. E aí? De que adiantou?”, mas guardei o pensamento comigo, na bobagem machista de guardar os problemas pra si e não dividir.

Então, da fonte mais inesperada, da pessoa que eu menos imaginava, veio um convite (ou devo dizer um ultimato?). Ronaldo Barreto estava envolvido com outras coisas, preocupado com tantas coisas que quando ele me ligou afirmando que tinha marcado uma reunião pra mim no Armazém da Cultura eu não acreditei. A lição de humildade dele foi maior ainda porque eu sabia que Ronaldo tinha projetos próprios e eu sei sua qualidade como escritor pra pegar uma oportunidade dessas e fazer um bom trabalho e ganhar uma grana legal pra si mesmo, sem se preocupar com qualquer um. Mas não foi o que ele fez. Ele preferiu lembrar de todos que se empenharam pra fazer essa edição especial e ao invés de pegar a oportunidade pra si, decidiu agarrá-la pra outros. Sem pedir nada, sem exigir nada, sem querer nada. Não há palavras pra agradecer isso. Não há atitudes que se façam pelo outro que paguem isso, porque é um gesto sem preço. O que pude fazer foi convidá-lo a participar com uma introdução e linha do tempo e, novamente, ele mostrou extrema felicidade e humildade ao aceitar o convite como se ele fosse bem menor e mais simples que aquilo tudo. Acho que ele nem desconfia, mas ali ele foi meu herói.

O Armazém da Cultura nos recebeu, viu o material e acreditou em seu potencial. Empregaram todos seus recursos e talentos pra injetar uma qualidade até então impensada por mim e apresentar em pouco tempo uma obra que seria um marco dos quadrinhos cearenses. Foi momento então de mostrar o resultado disso tudo ao Mino, criador do personagem. Um medo inicial, uma dúvida, uma incerteza… no final, lágrimas nos olhos do pai do Rapadura me emocionaram, mas também me aliviaram. Tínhamos acertado. O trabalho de todos não foi em vão. Sorria pr’aquilo tudo com uma coragem vitoriosa, uma alegria contagiante. Mas ainda não era o momento de comemorar, ainda havia o grande teste de público. Sempre o mais assustador.

A obra viajou então para o Festival Internacional de Quadrinhos – FIQ – em Belo Horizonte, mas não recebeu o tratamento esperado pelo público, apesar de agraciada pelos autores presentes. Voltando a terras cearenses, foi lançada na Universidade de Fortaleza, num auditório com pouquíssimas pessoas, a maioria amigos e familiares. Meus medos voltaram, minhas incertezas aumentaram e o Mino somente dizia: “é só o começo”, mas meu coração desacelerava.

Aí veio o dia 30 de novembro de 2013. Auditório da Livraria Cultura em Fortaleza. Casa cheia. Gente sentando no chão. Idosos, jovens, crianças. Eu nunca imaginei em anos que poderia ver algo assim. Dividi o espaço do lançamento com Liz, de Liz e Daniel Brandão, e Brincadeiras de Sol e Mar, do escritor Flávio Paiva. No palanque, esses artistas, Mino e eu. Nervoso como nunca estive antes. Foi tudo mágico. Mino ainda leu uma carta feita pelo Capitão Rapadura. Com louvor, escondi uma lágrima que queria escorrer pelo meu olho. E por mais estranho que fosse, na minha cabeça só tinha uma coisa: “as crianças vão adorar isso aqui”. Coisa de professor, eu acho.

Mesa de autógrafos. Revi amigos, familiares, conheci pessoas novas. Todos estavam felizes. Eu estava cansado. Falando de maneira bem pessoal, fiquei contente ao ver meus avós, que saíram de suas longínquas casas para me ver, me prestigiar. Foi um presente isso. Também revi meu pai. Há um tempo que não nos falamos tanto, mas eu sempre quis que ele visse o que eu fazia. Aquém de qualquer diferença que existe entre nós, ele estava lá e isso significou bastante pra mim. Ele foi o único que recebeu um autógrafo não nas folhas iniciais, mas na minha história. A sempre contagiante alegria de minha mãe encheu o espaço que nos separava. Não dava pra ficar triste com aquilo. Mas, no final das contas, o que mais me comoveu foi o toque no meu braço de minha esposa. Ela  fez um sinal com os olhos, falou ao meu ouvido. Era tudo o que eu precisava. Quando se escolhe uma nova vida, teme-se o que pode vir do outro, as negativas, as exigências, os sacrifícios, os extremos. Ela me mostrou que uma vida se faz juntos e que temer sozinho paralisa, mas temer com outro nos move. Eu sei que os passos que dei não seriam tão seguros se não fossem as certezas dela de que iríamos conseguir. Iríamos, porque uma vida não se faz sozinho, seja em casa, no trabalho ou com os amigos. Por isso que agradeço os elogios dados a mim ao fazer essa edição, mas eles não são somente meus, mas de todos, inclusive daqueles cujos nomes não estão nos livros: nossos professores, amigos e familiares.

Capitão Rapadura 40 anos não é uma obra de um só, mas de várias pessoas, parceiros, amigos, famílias e, por isso, de um estado inteiro, uma nação inteira, porque Rapadura nada mais é que todos nós.

Obrigado, pessoal.

Parafraseado Mino: “é só o começo”.

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O peso da luz – Einstein no Ceará

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A editora Armazém da Cultura, sediada em Fortaleza, Ceará, tem o prazer de apresentar o novo livro de Ana Miranda, O peso da luz, Einstein no Ceará.

“A novela O peso da luz conseguiu um equilíbrio raro, muito bonito, entre poesia e ciência, mas sem perdas ou sacrifício, sem dependências coloniais, e ao mesmo tempo a história envolve, prende, nos requer de modo exclusivo, mas sem arenosas paradidáticas, do jeito que só Ana Miranda sabe fazer, sem diminuição, com todas as cores possíveis, polifônico plural e todo um céu que se abre, com analogias entre aquele e este chão, o chão do Ceará ou de qualquer parte do mundo (não pela fria abstração) mas pelas secretas leis das similitudes de uma prosa poética enxuta e que nos convoca a imaginar um mundo precioso e solidário.”
Marco Lucchesi

Construído com elementos da biografia de Albert Einstein, O Peso da luz trata de um amante da ciência que conta suas memórias, Roselano Rolim – relojoeiro e inventor de uma máquina utópica, um moto-perpétuo estelar –, uma espécie de Quixote nascido em Cajazeiras. Na mesma cidade paraibana viveu um tio-avô da autora, que nos anos 1930 inventou um controle remoto, e inspirou o personagem. Leitor ardente das teorias de Einstein, Roselano recebe de seu amigo poeta a notícia de que uma comissão de cientistas ingleses está a caminho de Sobral, ao norte do Ceará, com a finalidade de comprovar a teoria da relatividade geral, durante um eclipse total do Sol que ocorrerá em 29 de maio de 1919.

Em comissão particular, na companhia de seu amigo poeta e do papagaio Galileu, Roselano embarca numa viagem que provoca em si uma verdadeira revolução, com a descoberta de outros mundos, novos modos de amar, de se relacionar com os seres humanos, com os próprios sonhos, e consigo mesmo, e a revelação do lado universal da vida que se consome num moto-contínuo. As observações da comissão inglesa, composta pelos cientistas Andrew Crommelin e Charles Davidson, comprovaram a teoria de Einstein que declarou, posteriormente: “A pergunta que minha mente formulou foi respondida pelo ensolarado céu do Brasil”. A teoria da relatividade geral ocasionou uma das maiores revoluções da história humana.

A autora
Voltada para a imaginação e linguagem, dotada de um brasilianismo intenso, Ana Miranda realiza um trabalho de redescoberta do nosso tesouro literário, que a leva a dialogar com autores e obras da literatura nacional. Fundada em séria e vasta pesquisa, recria épocas e situações que se referem à história literária brasileira, mas, primordialmente, dá vida a linguagens perdidas no tempo. Sua obra, de mais de vinte livros, tem sido matéria de estudos na área acadêmica, recebendo teses e monografias geralmente ligadas a questões de literatura & história, barroco brasileiro, romantismo, ou pós-modernidade.

Recebeu prêmios, como Jabutis e da Academia Brasileira de Letras, e a Sereia de Ouro; teve sua obra traduzida em cerca de vinte países, e conquistou expressivo número de leitores no Brasil. Ana Miranda consagrou-se igualmente pela inclusão de Boca do Inferno no cânon dos cem maiores romances em língua portuguesa do século 20, elaborado por estudiosos da literatura, brasileiros e portugueses (O Globo, 5/set/98). Seus principais romances são: Boca do Inferno (1989); A última quimera (1995); Desmundo (1996); Amrik (1998); Dias & Dias (2002); e Yuxin (2009), editados pela Companhia das Letras. Nasceu em 1951 no Ceará, onde vive atualmente, após cinquenta anos entre Rio, Brasília e São Paulo. O peso da luz faz parte de uma série de Novelas cearenses que a autora planeja publicar.

Trecho do livro
“Leve o papagaio”, ela disse. “Ele precisa tomar sol”. Levei acorrentado o Galileu, que andava um pouco esquecido por mim. Eu caminhava, desatento, entregue a devaneios, quando vi que um grupo de senhores se aproximava. Um trio vinha à frente, e meus olhos distinguiram num instante, como um relampejo, aquele homem coberto por um chapéu claro, terno bege amarrotado, bigode escuro, olhos que cintilavam mesmo à sombra do chapéu, andando com as mãos para trás, ladeado por dois senhores que lhe falavam, mostrando as árvores nos flancos da alameda. Era Einstein. Era ele mesmo, em pessoa, não havia nenhuma dúvida, e eu conseguia escutar os batimentos de meu coração.

Entrevista com a autora
A novela O peso da luz, Einstein no Ceará foi escrita para homenagear seu tio-avô, que era inventor?
Sim, claro, é uma história fascinante que corre na minha família, mamãe sempre a repete. Esse tio, que se chamava Inácio Nóbrega, e morava em Cajazeiras da Paraíba, inventou nos anos 1930 um controle remoto, e cedeu os desenhos e cálculos a um viajante alemão, que prometeu patentear o invento em seu país. Mas desapareceu com os esquemas, e meu tio Inácio nunca mais teve notícias. Foi uma consternação para ele e para a família. É uma homenagem aos inventores em todas as áreas, às utopias e quimeras. Mas também é uma homenagem ao Ceará, pois aborda um tema cearense, que é a comprovação da teoria da relatividade geral, de Einstein, ocorrida durante um eclipse em Sobral, em 1919. Para lá foi enviada uma comissão científica com a missão única de comprovar a teoria do cientista nascido na Alemanha. Interessante é que foi na época da Primeira Grande Guerra, e britânicos e alemães eram inimigos. Além da grande conquista científica, que revolucionou o mundo em tantos aspectos, a comprovação foi uma espécie de vitória do espírito de cooperação contra o espírito bélico.

É seu primeiro livro que se passa em sua terra natal, o Ceará?
De certa forma, sim. O Ceará sempre esteve presente em mim, assim como a Paraíba e todo o Nordeste, em alguns de meus modos de ser e ver o mundo. Em Dias & Dias eu pisei pela primeira vez o solo cearense, quando personagens passam por Fortaleza. Eu sentia uma falha no conhecimento de minhas origens, pois saí de Fortaleza aos quatro ou cinco anos de idade. Voltei a morar no Ceará, e a me imbuir de seus elementos culturais, históricos, tenho conhecido muitos aspectos dessa terra, e isso me inspira livros com temas locais.

O fato de a comprovação se passar no Ceará tem alguma relevância para a teoria?

Tem relevância para o Ceará e para o Brasil, por extensão. Tudo o que acontece em nosso país passa a fazer parte de sua história, e tudo deixa consequências que devem ser examinadas, lembranças que devem ser preservadas. O fato traz à luz, por exemplo, aspectos importantes de nossa história científica, como o conflito entre ciência utilitária e ciência pura, ou a dificuldade, falta de tradição, de apoio à pesquisa científica. Pelos relatórios dos cientistas das comissões inglesa e brasileira, podemos verificar nitidamente as nossas dificuldades. E se não tratarmos de nossos temas, se não os conhecermos e examinarmos, e criarmos nossas próprias referências, estaremos sempre como repetidores colonizados de conhecimentos externos, li, dia desses, essa frase no jornal.

Por que a senhora escolheu um poeta para acompanhar o cientista inventor, narrador do livro?
Para tecer laços entre a ciência e a poesia, ambas têm exatidão, ambas se compõem de imaginação e exigem ousadia. Também para criar um parâmetro de comportamento entre duas figuras quase marginalizadas na sociedade, o poeta e o inventor, tidos como quixotescos, por abordarem reinos do conhecimento humano que são essencialmente subjetivos, e saírem em busca do desconhecido. A alma humana e o moto-perpétuo. Einstein achava que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. É por essa vereda…

Einstein esteve realmente no Ceará?

Esteve, como símbolo. Na verdade toda arte é simbólica, e a presença dele no Ceará significa a chegada de um novo tempo, e a ânsia de estabelecer contato com o mundo, até mesmo com o tão misterioso universo, com as origens da vida, com os significados da existência, porque a física abstrata tenta vasculhar o mistério, assim como a poesia. Num mundo em que se acreditava em verdades e certezas, houve um momento em que a “realidade” tomou um aspecto relativo. Houve um como que desmanche cultural, uma fragmentação atômica. O livro aborda a questão do sentimento de provincianismo, e o exílio pessoal e cultural. Também, as possibilidades de renovação, um sentimento que inquieta a humanidade, porque encerra o tema da vida & morte.

O narrador do livro dá de presente a Einstein um papagaio. É sabido que Einstein teve em sua casa um papagaio. Qual o significado do papagaio?
O papagaio é um elemento da vida de Einstein, que cuidou de uma dessas aves. O biógrafo Walter Isaacson diz que ele recebeu o papagaio de presente de um centro médico, em 1954, deixaram a ave na porta da sua casa. Einstein andava doente, já no fim da vida, e o presente deve ter sido terapêutico. Talvez ele falasse que gostava de papagaios, talvez já tivesse tido um. Os jornais brasileiros mencionam que durante a visita ao Rio um cidadão lhe entregou um papagaio, e Einstein teria levado essa ave para sua casa. Se for verdade, é fascinante a coincidência, pois deve ter algum significado que pode ser examinado. Soube que o papagaio mais inteligente do mundo, que vivia num zoo nos Estados Unidos, se chamava Einstein. De toda forma, é uma ave bem popular, domesticável, humanizada a tal ponto que chega a repetir os sons, como se falasse, e há uma força afetiva entre essa ave e a pessoa que dela cuida. Levar do Brasil um papagaio pode ser levar um símbolo da nossa natureza e cultura. A inserção do Novo Mundo no Velho Mundo, poderia ser… A invasão da cultura popular, do folclore, na erudita… A natureza que existe na cultura… O idílio da floresta primitiva… Abordagens assim. Para Roselano o papagaio era uma ligação afetiva com Einstein, o personagem lhe ensinava apenas frases em alemão.

A sua admiração por Einstein é patente no livro. Que características desse cientista a entusiasmam?
Tudo nele é entusiasmante, sua personalidade ao mesmo tempo meiga e insolente, seu senso de humor, sua simplicidade e despojamento de bens materiais, e o que ele disse de si mesmo, numa carta a um filho: “a capacidade de se elevar acima da mera existência, sacrificando sua própria pessoa ao longo dos anos em prol de um objetivo impessoal”. E a inteligência brilhante dele, que se expressava em ideias científicas, mas também nas frases que ele despejava com espontaneidade.

O conflito de Einstein, em relação à criação da bomba atômica, não está no livro. Por quê?
Porque se passou depois da ação do livro, que se resume ao período de 1919 a 1925. No entanto, apesar de o narrador ser um apreciador irrestrito do trabalho de Einstein, a polêmica sobre sua vida e obra se encontra nas páginas da novela, dentro das perspectivas da época e local, o Brasil. Apesar de uma pureza apaixonada na visão do narrador, Einstein aparece com suas contradições.

Por que a senhora chama o livro de novela, e não romance?
A novela é um romance abreviado, com trama contida numa só linha de narração, poucos personagens, nada daquela voz polifônica, daquele longo devaneio, fugas, daquelas tramas paralelas, que caracterizam o romance. O peso da luz se encaixa bem melhor nas definições de novela.

A linguagem de O peso da luz é bem mais simples do que a de seus romances. A que se deve isso?

Deve-se à época em que se passa a trama, século 20, não estou recriando nenhuma dicção antiga, e as dicções antigas hoje nos parecem complicadas, quanto mais antigas, mais desconhecidas, dando a sensação de estranheza. Também o fato de ser novela leva à simplificação da estrutura ou vice-versa. E o fato de o narrador ser um homem das ciências exatas. As falas do poeta são bem mais rebuscadas, no livro, inspiradas em Augusto dos Anjos, era o tempo do cientificismo poético, ou da poesia cientificista.

A senhora diz que O peso da luz é a primeira das Novelas Cearenses que pretende escrever. Poderia dizer quais são as outras?
Prefiro guardar segredo. O Ceará tem uma riqueza quase virgem, no campo da literatura histórica, e há temas fabulosos. Sinto que tenho condições de fazer um trabalho nesse sentido, animada por uma espécie de amor natural.

Serviço:
Lançamento em Sobral
Dia 16 de Outubro de 2013
Hora: 19h
Local: Casa da Cultura de Sobral – Avenida Dom José, 881 – Centro – Sobral/CE. (88) 3611-2712

Lançamento em Fortaleza
Data: 18 de outubro de 2013.
Hora: 19 horas
Local: Livraria Cultura – Av. Dom Luís, 1010, Ljs. 8,9 e 10. Fone: (85) 4008.0800
Editora: Armazém da Cultura
Preço de capa: R$ 40,00
ISBN: 978-85-63171- 72 – 6
Fone: (85) 3224.9780