DIA DO QUADRINHO NACIONAL VEM AÍ! O QUE FAZER PRA APROVEITAR AO MÁXIMO?

O Fórum de Quadrinhos do Ceará já anunciou o seu principal (e mais esperado) evento do ano: O DIA DO QUADRINHO NACIONAL. Comemorado desde 2010, o evento é uma forma de conhecer o que de melhor está sendo produzido no estado, além, logicamente, de dar espaço para artistas, leitores e entusiastas conversarem, trocarem experiências e dividirem um ano inteiro de aprendizado. O Cultura de Quadrinhos decidiu lembrar porque o DQN-CE é tão legal e dar algumas dicas de como aproveitar melhor o evento.

1. Apareça de alguma forma

Se você é autor e gostaria que outros vissem seu trabalho, comece a pensar em maneiras de viabilizá-lo. Se você publica seu trabalho somente pela internet, talvez seja momento de pensar em um impresso. Apesar dos fanzines feitos em gráfica rápida serem sempre uma óbvia pedida, não deixe de pensar em algo menor, mais barato e criativo que tenha a chance de alcançar o maior número de pessoas possíveis, como um panfleto, marcador de livros, botton com seu site, o que seja. Lembre que o importante é que as pessoas tenham um registro de onde encontrar seu trabalho e não confie em risquinhos em papel ou coisas faladas. Tenha um cartão de visita bonito, atrativo e com o máximo de informações possíveis. Lembre de inscrever suas obras na Banca do Brasil pra você poder conversar com a galera, enquanto a Banca vende as paradas pra você 🙂

2. Faça sua programação

Apesar do #DQN na Gibiteca ser bem direcionado e com atividades que quase nunca entram em conflito ou choques de horários, conhecer a programação e estar preparado para ela é uma grande vantagem, principalmente se você espera ver um artista específico e conversar com ele além das palestras ou mesas redondas que ele vá participar. Outra coisa importante sobre conhecer a programação é saber que atividades devem ser curtidas com filhos, amigos ou namorad@s, o que nos leva ao próximo item…

Programação DQN 2014

Programação DQN 2014

3. Não vá sozinho

Como muitos eventos, o #DQN é um dia para se curtir em grupo: sejam eles aficionados por HQs ou entusiasmados que querem fazer algo realmente interessante e divertido no sábado. Apesar de seu direcionamento sério e de caráter formador, o #DQN é bastante lúdico, com seus organizadores/participantes bem alegres em seus papos, propostas e trabalhos, isso torna o evento meio “ecumênico” (hehehe), ou melhor, aberto a qualquer pessoa de qualquer idade, o que está relacionado a…

4. Um evento para toda a família

Diferentes idades e pessoas estão presentes no #DQN e isso é bacana porque podemos ter mães e pais levando seus filh@s ou filh@s levando suas mães e pais e avós e avôs. A coisa sempre fica interessante porque os mais jovens podem entrar em contato com a vanguarda dos quadrinhos cearenses e os adultos conhecerem uma parte muitas vezes marginalizada de arte e que é parte importante de nossa história. Enfim, fala de fã, mas se deixe levar por ela, e sim, leve sua família. Eles vão adorar.

5. Curta as novidades, aprenda com quem já faz

Acima de tudo o #DQN é um evento onde compartilha-se experiências, de sucessos a fracassos. Então é igualmente importante estar pronto para apresentar algo e ouvir críticas (nem sempre esperadas) de quem já faz. Pensando nisso, o Fórum de Quadrinhos do Ceará e o Estúdio Daniel Brandão estão organizando uma sessão especial de análise de roteiros e portfolios de desenhos, o que, para novatos, é muito importante, por isso vale à pena organizar as notas e ir até lá mostrar o trabalho e ouvir alguns direcionamentos. A análise de desenhos fica a cargo do veterano Daniel Brandão (Liz, MSP 50) e de roteiros por Luís Carlos Sousa (Comando 5 Aventura, Capitão Rapadura) e Zé Wellington (Imaginários em Quadrinhos). É o momento bem único e particularmente importante porque estamos acostumados com os profissionais de fora do estado e quase nunca lembramos da qualidade e experiência de artistas mais próximos.

Talvez o mais importante estúdio de HQs da cidade e sua boa participação no DQN.

Talvez o mais importante estúdio de HQs da cidade e sua boa participação no DQN.

6. Produções originais

Esse #DQN é especial porque tem a Banca do Brasil, um espaço criado para venda de gibis de artistas cearenses. Basta cadastrar seu trabalho no site do FQCE e mandar bala. Esse ano a Banca inova trazendo uma mesinha de troca (onde vai rolar de tudo: quadrinhos, livros, revistas, filme, magazines etc.). Fora isso, o #DQN não terá só quadrinhos. Tanto a animação As Desventuras de Davi, de Valdeci Carvalho, como o elogiado BRANDÃO de Ronaldo Barreto serão exibidos e isso é um momento histórico único para as HQs cearenses, afinal são produções locais sobre quadrinhos e completamente originais. Impressionante, não? E tudo pela módica quantia de…

7. Gratuito

Exceto pelos itens da Banca, todas as atividades, painéis, acessos… enfim, tudo, é completamente gratuito e aberto ao público. Então, não há desculpas, vá para o #DQN 2014 na Gibiteca de Fortaleza (av. da Universidade, 2572, Benfica) dia 25, das 8h às 18h. Temos certeza que vocês adorarão.

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THE WALKING DEAD FORTALEZA

O Fórum de Quadrinhos do Ceará (FQCE), em parceria com a Secult- For, promoverá uma programação cultural a ser realizada no espaço da Gibiteca de Fortaleza (um anexo da Biblioteca Dolor Barreira). O evento inicia a nova programação da Gibiteca que trará também atividades e cursos voltados para os quadrinhos e universos afins como games, RPGs, jopgos de mesa.

Para dar início aos eventos de 2013, o FQCE abre espaço para os zumbis mais badalados do mundo pop. O evento “THE WALKING DEAD” será baseado na série de enorme sucesso, adaptação para a TV da série de quadrinhos do mesmo nome de autoria de Robert Kirkman. O evento contará com palestras do fã-clube The Walking Dead Br, oficina de maquiagem zumbi, prêmios, entre outras atrações. A Banca do Brasil terá quadrinhos nacionais e diversos autores estarão presentes para trocar ideias e participar das promoções, inclusive fazendo caricaturas do público.

Data: 13/04/2013
Hora: A partir das 14:30
Onde: Biblioteca Central Dolor Barreira e Gibiteca Municipal
Av. da Universidade, 2572 – Benfica. (85) 3105.1299

Cartaz promocional do evento.

A IMPORTÂNCIA DOS ARMISTÍCIOS

Sábado passado (19/01/2013) foi comemorado o Dia do Quadrinho Nacional em Sobral, o qual tive a honra de participar a pedido do amigo Zé Wellington. Sábado agora (26/01) será o de Fortaleza e no sábado seguinte (02/02) o de Limoeiro.

Logo que cheguei fui recebido por Lederly, Zé, André Pinheiro e Fernando Lima, horas depois, José Luís fechava a trupe, caras que admiro e respeito. Comemoramos o reencontro, mas, em algum momento – desconfio que a coisa veio de Lederly -, comentamos que poucos nos encontramos pra beber e conversar bobagens fora do ambiente de eventos e quadrinhos. Apesar de ter, com justiça, o tom de cobrança, sei que Lederly falou mais por diversão que desaforo, mas a situação é de se parar pra pensar.

Durante muito tempo em Fortaleza, o cenário das histórias em quadrinhos era algo como um bairro “barra-pesada” em algum filme dos anos de 1980: várias gangues com suas áreas de dominância e que, por algum motivo – na maioria das vezes, somente egocentrismo ou preconceito, imaturidade, entre outras razões idiotas, além de algumas sim relevantes -, não poderiam de maneira nenhuma bater um papo, trocar experiências ou pensar em trabalhos juntos e, quando por ventura se encontravam, travavam alguma discussão ridícula onde denegriam/elevavam autores e obras diferentes, esperando difamar/insultar os colegas/inimigos da “gangue” rival. Isso foi muito ruim para os quadrinhos porque distanciou os artistas a tal ponto que muitas vezes uns não sabiam o que os outros faziam e, como toda separação, não aprendiam/ensinavam com e aos colegas de profissão. Baque maior sofreu o “movimento quadrinhos” que estava tão diluído que não fazia nenhum sentido existir, nem mesmo gerar um evento ou um cenário formador. Depois de alguns anos o que aconteceu é que a guerra de gangues acabou por formar uma série de desconhecidos pra si mesmos e, com tristeza e pesar, para o público.

Anos depois, a coisa mudou de figura. Sim, ainda há gangues (eu mesmo tenho as minhas), mas as pessoas se comunicam melhor, dividem mais, interagem melhor mesmo tendo opiniões diferentes. Acredito que essa situação mudou por conta de encontros como esse do Dia do Quadrinho Nacional que, mais que uma data com um evento comemorativo, se tornou nosso “armistício”, aquele momento onde artistas e leitores se conhecem, se reencontram, trocam experiências e até fazem pactos de parcerias, deixando de lado algumas rixas em respeito a algo maior.

No “vácuo” desses sentimentos de trégua, uma galera mais nova têm conhecido seus ídolos e aprendido com seus erros, seja em técnicas e trabalhos, seja em relações humanas e, diferente do passado “gangueiro”, fica um futuro promissor, pautado em amizade, respeito e coleguismo.

Avengers Armistício

Uma pausa pra um lanche e um bom papo às vezes é tudo o que precisamos pra aceitar as diferenças.

Descrevo aqui um dos melhores resultados dos DQN e, pra mim, a face do novo quadrinho cearense. Lederly, Zé Wellignton, Fernando Lima, André Pinheiro, José Luís e eu somos de diferentes origens e gerações dos quadrinhos, gostamos e produzimos coisas diferentes, mas nos damos bem, conversamos juntos, trocamos experiências sobre trabalho, ouvimos uns aos outros e nos respeitamos acima de tudo. Pessoalmente falando, Fernando me ensinou uma série de coisas sobre impressão e escolha das gráficas corretas. Zé e eu nos vemos como artistas de idades e, por isso, referências e pensamentos muuuito próximos, uma honra ter dividido uma edição com ele. Eu diagramei e escolhi as artes do artbook do José Luís e fiquei muito feliz com o resultado final e com a resposta positiva del. Ainda não tenho nenhum trabalho com Lederly, fora o projeto CR40, e sempre tive dúvida se algum dia poderíamos dividir pranchetas, tendo em vista que o onírico de seu trabalho parece distante de minha produção comum, surpresa minha ao saber que ele já tinha algo em mente. Sim, somos de “gangues” diferentes, é verdade, mas, ainda assim, gangueiros de uma mesma paixão, por isso, acima de tudo, irmãos.

MÊS DO QUADRINHO NACIONAL NO CEARÁ – 2013

Cartazes de divulgação do Mês do Quadrinho Nacional - Ceará 2013

Cartazes de divulgação do Mês do Quadrinho Nacional – Ceará 2013

Em 1º de janeiro de 1896 foi publicada a primeira História em Quadrinhos do Brasil, produzida pelo ítalo-brasileiro Angelo Agostini para a revista “o Malho”. Esta publicação inspirou a Associação Brasileira de Cartunistas a fundar o Dia do Quadrinho Nacional, celebrado hoje em todo o país. A comemoração é forte em estados como a Bahia que celebra janeiro como o Mês do Quadrinho Nacional tanto porque um dia é pouco para se explorar a riqueza que envolve o Quadrinho produzido no Brasil, tão rico de temas e fontes como a própria cultura brasileira.” – JJ Marreiro, em postagem no blog do Fórum de Quadrinhos do Ceará.

Desde 2010, a comunidade de quadrinhos do Ceará – sob a coordenação do FQCE – organiza o Dia do Quadrinho Nacional, evento onde artistas, editores, fãs e entusiastas dividem experiências, ideias e trabalhos sobre a nona arte. Tendo a Gibiteca de Fortaleza (Av. da Universidade, 2572, em frente a Casa Amarela Eusélio de Oliveira) como tradicional local para realização do evento, em 2013, depois de uma quase não realização, ele irá a sua 4ª edição acompanhado de eventos que acontecem durante todo mês de janeiro em outros municípios do estado e bairros da cidade, como Sobral, Limoeiro do Norte e Messejana.

“A verdade é que o DQN Fortaleza não iria acontecer. Com o fim da gestão dessa coordenação e cada um dos coordenadores cuidando de projetos próprios ou dando uma força para os eventos em outras cidades, estávamos sem verba e tempo para realização do DQN na capital”, afirma Luís Carlos Sousa, coordenador DQN gestão 2010-2013 e diretor do Cultura de Quadrinhos.

No entanto, como uma afirmação daquilo que o FQCE significa, pessoas fora da coordenação começaram conversas através da rede social Facebook e em menos de 30 minutos o formato do evento e suas principais atrações já tinham sido estabelecidas.

“Foi algo muito rápido. Uma vez as pessoas definindo funções dentro do evento, bem como a programação, foi só fechar a data. Fiquei muito contente pela atitude não ter saído da coordenação e mais ainda por ver quem estava se engajando para o evento: Macilio Oliveira, da Revista Digital Zinext, Zé Wellington que também organiza o evento em Sobral e Lederly, um artista muito respeitado que, dentre tantos trabalhos, fez uma das histórias do MSP +50. No mesmo dia, Kaléo Mendes, que foi convidado para desenhar o cartaz, já tinha entregue a arte. Foi um daqueles movimentos que começam com uma onda pequena, mas quando você menos espera surge uma grande – mas bem encaminhada – tsunami”, completa o ex-coordenador que ficará responsável pela Banca do Brasil e participará como palestrante no evento de Sobral.

Na nota do FQCE também há uma alusão ao projeto Capitão Rapadura 40 Anos, uma homenagem feita ao personagem criado por Mino, numa coletânea de vários artistas, aos moldes do MSP 50, mas com toda a cearensidade para se fazer jus ao personagem.

A importância de um evento como esse – e integrado dessa forma – reforça como tudo que as histórias em quadrinhos nacionais precisam é de união e colaboração conjunta, que quando o diálogo se torna aberto e as ideias são divididas as dificuldade de tempo e espaço se tornam oportunidades.