NOVIDADES NA CASA

Depois de um período de testes e muito “fazer, refazer, organizar e corrigir”, a semana que vai do dia 17 a 23 de março será uma grande semana para o Cultura de Quadrinhos. Primeiro porque estrearemos uma série nova, anunciada desde nosso início, Monga – personagem de Cristiano Lopes que foi originalmente lançado no premiado fanzine Manicomics e que agora ganha cores pelo grande profissional Dijjo Lima, colorista de vários trabalhos internacionais e hoje contratado do Ed Benes Estúdio -, segundo porque parcerias há muito trabalhadas serão consolidadas.

Monga, por Cristiano Lopes e Dijjo Lima

Monga, por Cristiano Lopes e Dijjo Lima

Importante lembrar que Monga aparece em um bom momento, já que NovaHope terminou seu primeiro capítulo e se prepara para entrar no segundo a partir de 3 de abril, permitindo que os leitores comecem a apreciar o bom bárbaro – que sempre terá histórias curtas e completas e publicações quinzenais – enquanto NovaHope não retorna. Assim, continuamos com Demonaldo e Somos bichos, nossas tiras regulares e Monga durante toda a semana. Além disso, até o final do ano estrearemos séries novas. Conheçam o que vocês ainda verão esse ano em Cultura de Quadrinhos:

1. Lola – de Nathália Garcia e Luís Carlos Sousa

Criada por Nathália Garcia e com roteiros de Luís Carlos Sousa, Lola é uma menina às voltas com um dos mais importantes e confusos momentos da adolescência: a escolha da carreira. Começando com sua prova no Enem e escolha do curso superior – equivocado ou não? – indo até a descoberta dos romances mais significativos e daquilo que realmente ela quer fazer da vida, acompanharemos Lola em alguns momentos engraçados e outros tantos emocionantes, descobrindo na jornada dela onde está a nossa própria, sempre com a fineza e qualidade do traço de Nathália Garcia. As tiras serão semanais e já estão sendo produzidas, com data de lançamento ainda este ano.

Lola, por Nathália Garcia e Luís Carlos Sousa

Lola, por Nathália Garcia e Luís Carlos Sousa

2. Amigos, amigos… – de Luís Carlos Sousa e Ronaldo Mendes

Beto e Carlos são dois amigos do tempo de faculdade que há muito não se falavam. Depois de uma separação difícil de sua esposa, Beto procura pela ajuda do antigo colega e o que deveria ser alguns dias de abrigo acaba se tornando a renovação de uma verdadeira amizade e o começo de uma rotina regada a desastres amorosos, tentativas frustradas de emprego, desgraças culinárias e noites de ressaca. A tira já existe há pelo menos 2 anos, mas só agora toma forma com a adição do fenomenal Ronaldo Mendes nos desenhos. Assim como Lola, será uma tira semanal e dessa vez com previsão de lançamento em junho.

Estudos de Ronaldo Mendes para Carlos e Beto.

Estudos de Ronaldo Mendes para Carlos e Beto.

Por enquanto essas são as novidades que irão aparecer no site, mas acompanhe também nossos artistas, pois uma série de trabalhos deles logo estará despontando na internet e em livrarias, como o aguardado álbum Quem Matou João Ninguém do nosso autor e editor Zé Wellignton.

Fiquem de olho para mais novidades logo logo.

A TRILOGIA VALENTE

Valente por Opção: Vitor Cafaggi

Valente por Opção: Vitor Cafaggi

Recentemente acabei de ler o último (talvez não realmente o último) volume da trilogia Valente, do autor mineiro Vitor Cafaggi. Revendo mental e fisicamente os outros volumes fui tomado pela catártica pergunta: o que foi tudo isso? Valente – para aqueles presos em cápsulas durante os últimos 10 anos – é um garoto (cão) que vive sua hormonal fase da adolescência se apaixonando a cada belo sorriso ou toque inesperado de mãos. Valente Para Sempre, Valente Para Todas e Valente Por Opção é o retrato em quadrinhos de qualquer cara em seu último ano de colégio e primeiro de faculdade. Mais que isso, é um retrato de suas decepções amorosas e da confusa cabeça dos meninos, às voltas com seu gostar e o que fazer, precisando ser “treinados” e “doutrinados” o tempo todo na magnífica arte dos relacionamentos – não raro por ícones do cinema que na vida real não são lá grandes exemplos -, mesmo que seus corações sejam puros e verdadeiros.

Essa sinceridade com que Cafaggi trata seu personagem – na riqueza simples de quem já viveu e aprendeu com a maioria das situações da narrativa – faz a identificação com Valente ser imediata e a transposição da vida do leitor para a do cãozinho adolescente (e vice-versa) é perfeita, completamente sincrônica com a nostalgia revelada em cada página amarelada dos livrinhos. Jogando um olhar mais acurado sob essa sinceridade, há aí uma chance única de conhecer a alma masculina em seu momento mais confuso, mais caótico – o de envolver-se com uma garota. A apreensão em entender os olhares e gestos, o medo do contato visual, o nervosismo durante a troca das primeiras palavras, as ações que deveriam significar uma coisa, mas acabam significando outra, a confusão nas escolhas do primeiro encontro, o “onde por as mãos” ou “afinal, o que fazer com elas”. Tudo isso revela um tipo de “desastramento” dos garotos com seus sentimentos, em como lidar com eles: se revelá-los ou não, como fazer isso, quando fazer isso e principalmente como lidar com erros de julgamento e decisões… é incrível como os homens sofrem com essas dúvidas, e Vitor consegue fazer dessa desastrosa (por que não dizer trágica até?) etapa uma charmosa e delicada comédia onde cada movimento de calda quer dizer mais do que parece.

Esse certamente é um dos grandes trunfos de Vitor: não temer desnudar seus sentimentos, falhas e dúvidas para Valente e, com isso, para seus leitores, transcendendo seu personagem para uma realidade muito mais ampla, bem mais global, revelando detalhes engraçados e desastrosos de caras apaixonados, suas opiniões absurdas e atitudes mais ainda. Talvez nisso esteja a real lição de Vitor e seu Valente: não ter medo, encarar os sentimentos, desnudar-se. Afinal, uma vida (ou uma carreira que inclui alguns prêmios HQ Mix e duas Graphic MSP, uma lançada e outra anunciada) não pode ser feita escondendo-se o tempo todo, né?

Confira a entrevista exclusiva na edição 9 da REVISTA ZINEXT!