NOTA INFORMATIVA: SOBRE CROWDFUNDINGS

Há alguns anos, sites como o Catarse ou o Kickstarter popularizaram um novo conceito de arrecadação de verbas: o crowdfunding, ou financiamento coletivo, que basicamente consiste em arrecadar capital para desenvolvimento de diversos projetos, tornando os interessados em ver aquele projeto realizado como financiadores diretos. O sucesso da iniciativa é tanto que o número de projetos (entre eles, uma grande quantidade de quadrinhos) desde a abertura desses sites em pouquíssimo tempo chegou a números inesperados. O Catarse, por exemplo, relatou uma arrecadação quase 4x maior de seu primeiro ano (2011) pra cá. Esse tipo de plataforma se tornou um incentivo único a produtores e artistas independentes, além de oferecer mais opções de arte, entretenimento e cultura foras do circuito considerado de mercado de massa.
No entanto, será que o financiamento coletivo é amplamente compreendido por todos?
Em uma nota enviada por Milena Azevedo, ela fala sobre essa dificuldade:
Bom dia a todos!
Não sei como os demais membros da equipe estão vivenciando a apresentação do Catarse e do nosso projeto para amigos e familiares. O fato é que comigo tem acontecido situações tragicômicas.
A mais recorrente é de pessoas que estão me dando dinheiro para que eu faça a contribuição. Já expliquei que isso não é legal porque o nome dessas pessoas não vai aparecer e vai ficar chato também pelo fato de que fica parecendo que só eu estou contribuindo.
Mas a situação na qual estamos não me permite negar as quantias. Ontem eu depositei dois mil reais, sendo mil reais doados por vovó (aí tudo bem), mais quinhentos reais do meu bolso e outros quinhentos divididos em cinco pessoas que doaram cem reais. Resultado, meu cartão chegou ao limite mensal que posso gastar.
E assim que acabei de fazer a contribuição gorda, me chegou mais um pedido de contribuição ‘anônima’. 
As pessoas que não estão no nosso meio quadrinístico e que não tem muita afinidade com compra virtual somam um montante dos meus contatos extras.
Já ouvi até isso: ‘se você tivesse o gibi aqui eu comprava na hora!’.
Isso comprova que as pessoas, em sua maioria, não entendem o financiamento colaborativo.
Os amigos(as) de mainha do facebook acham que curtindo o link já estão contribuindo. É sério.
Estou enviando o tutorial abaixo para vocês compartilharem com amigos, colegas e familiares, explicando que não é um bicho de sete cabeças fazer o cadastro no Catarse.
Tutorial de como contribuir com os projetos do Catarse
Estou recebendo o retorno de alguns amigos que querem adquirir um exemplar da coletânea Visualizando Citações (http://provc.blogspot.com.br/) na pré-venda do projeto no Catarse, mas não sabem como fazê-lo.

É muito simples. Sigam minhas instruções que não tem erro:
1°) Vá até o site do Catarse.me: http://catarse.me/
2°) Na barra superior, clique em CADASTRE-SE. Aqui você tem a opção de digitar Nome, e-mail, senha ou entrar via sua conta do facebook (agora é a única rede social permitida para cadastro);
3°) Com o cadastro feito, você entra na nossa página e escolhe o valor que quer contribuir: http://catarse.me/pt/provc
4°) Depois você é direcionado a fazer o cadastro no Moip (basta preencher seus dados e escolher a forma de pagamento desejada, cartão de crédito ou boleto bancário)
5°) Você recebe uma mensagem dizendo que é um dos apoiadores do projeto Visualizando Citações e vai receber um e-mail do Moip.

Abaixo está o link de um vídeo que mostra esse passo-a-passo, embora algumas coisas da interface do Catarse tenham mudado um pouco, o procedimento é o mesmo:

http://vimeo.com/18998742#

Não se preocupem que o Moip só repassa o valor das contribuições no final da campanha, então o dinheiro de vocês fica lá guardadinho.

Milena
A mensagem de Milena – e possivelmente ela não é a única – demonstra uma realidade sentida há algum tempo para os produtores independentes de quadrinhos: uma parte de seu público ainda está arraigada em antigas formas de consumo e distribuição e isso tem causado algumas confusões na aceitação de novas formas de apreciação de artistas ainda desconhecidos do grande público e, ao invés de ampliar o número de consumidores daquele produto, tem setorizado-o ainda mais, fazendo com que os que não querem ou não tem paciência de se inteirarem das ferramentas digitais acabem excluindo a si mesmos desses novos universos, esperando obras que nunca chegarão em bancas e se sentindo enganados ou desesperançados com isso.
Como sempre, no entanto, isso não é o fim do mundo ou a falha de uma geração inteira ou de um movimento moderno. Comunicação faz-se necessário. O financiamento coletivo é uma realidade patente, uma ponta de presente direcionada a um futuro onde cada dia mais os interessados por algo buscarão esse algo da forma como desejam e utilizando-se de sua fé pessoal, criatividade e recursos próprios, investindo seu tempo, energia e dinheiro naquilo que acreditam, mas é preciso informação. Até agora só vi Milena Azevedo apresentar o problema e preocupar-se em trazer informações sobre como resolvê-lo, mas, como dito antes, acredito que ela não é a única e acho que mais experiências dos que buscam financiamento e das dificuldades que passam deve ser compartilhadas.
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