OS 10 MAIS IMPORTANTES FILMES SPANDEX

Com os Vingadores, os filmes de super-heróis firmaram um novo marco – o último, na análise desse articulista, foi X-men, que demarcou a retomada (assim, vou delimitar tudo o que veio antes como AX: antes de X-men, e DX: depois de X-men) – assim, milhares de listas dos 10 maiores filmes-spandex surgiram na net e, como esse site também se propõe a seguir algumas modinhas (e porque listas são legais) o Z&A define seu TOP 10, mas baseado em sua importância e ajuste às ideias dos quadrinhos:

10. Watchmen (Zack Snyder, 2009)



Um dos quadrinhos mais cultuados – e, ao mesmo tempo, mais complicado de se ler – de todos os tempos recebeu uma adaptação bem feita, centrada na criação de uma atmosfera que representasse as ideias, época e pessoas que compuseram a história original (dentro e fora dela). De um tato incomum, Zack Snyder entregou uma obra de entretenimento pop que conseguia aproximar-se consideravelmente de seu original – em alguns momentos melhorando-o, inclusive – levando seus temas a um conjunto simbológico que pudesse ser melhor assimilado pelos espectadores da nova mídia. Pena Allan Moore ser tão “incompreensível”.

9. Sin City (Robert Rodriguez, Frank Miller, Quentin Tarantino, 2005)



O trabalho certo nas mãos certas costuma sair melhor que o esperado. “Sin City”, filme baseado nos quadrinhos de Frank Miller, é um exemplo cru disso. Depois de algumas decepções no cinema que o fizeram abandonar de vez a mídia, Miller foi convencido por Rodriguez com um curta de que Sin City era possível. Brigas com a Associação de Diretores Americana, convite de amigos ilustres e ressurreição de astros marcaram a produção, que é considerada por muitos a única transposição semiótica perfeita de uma obra de quadrinhos. Depois de 7 anos o segundo é anunciado. Vamos ver se ele será tão bom quanto o primeiro.

8. Batman (Tim Burton, 1989)



Batman é do período AX, e hoje em dia é visto como datado, ultrapassado e questionável. Mesmo a atuação do Coringa de Jack Nicholson é considerada por alguns como “superada” – termo que coloco em xeque, afinal, era outra época e outro filme – e muitos não conseguem entender a escolha de Michael Keaton como Bruce Wayne/Batman. Não importa. Batman foi um trunfo por conseguir mostrar o herói em um tom sombrio, quase adulto – a cena das modelos do coringa é assustadora – e conseguir apreço público (e ainda ser PG 13). O resultado disso foi tão forte que há ecos dessa visão em “Blade” e no primeiro “X-Men”, bem como em vários outros filmes de HQ. A sequência, “Batman: O Retorno“, foi igualmente boa, mas depois disso a franquia foi se tornando mais carnavalesca e caindo em qualidade. Ainda bem que Cristopher Nolan surgiu para salvar os fãs.

7. X-Men (Bryan Singer, 2000)



Trajes de couro, efeitos mais ou menos, história bobinha e ação razoável foram suprimidos por personagens bem trabalhados por um elenco de qualidade, bem encaixado como uma luva, e uma direção que sabia explorar os dramas daquelas figuras. O longa foi uma grande surpresa e abriu as portas para a Marvel entrar com os dois pés no cinema, firmando o gênero “filme-spandex” com a certeza de sua eternidade. Sem o sucesso desse filme, duvido um pouco se os outros dessa lista (exceto os que vieram antes) teriam sido tão facilmente pensados e tão prontamente feitos.

6. Homem de Ferro (Jon Favreau, 2008)



Toda a importância do Homem de Ferro se justifica em uma palavra: plano. Um esquema “cósmico” para fazer com que vários heróis de franquias independentes se tornassem uma única franquia, grandiosa, poderosa e arrebatadora. Este foi o primeiro e bem sucedido passo, em que Jon Favreau pegou o esquema Raimi de fazer filmes-spandex e inverteu a fórmula, elevando o então bobinho Homem de Ferro ao primeiro panteão popular da Marvel, lugar antes ocupado com folga por Homem-Aranha e Wolverine. Claro que esse bolo teria sido somente um “aperitivo” se seu recheio não fosse Robert Downey Jr., ator que se identificou tanto com o personagem que empregou seu imenso talento pra fazer de Tony Stark o playboy maluco mais adorado do mundo. E a Marvel começava seu plano de dominação.

5. Corpo Fechado (M. Night Shyamalan, 2000)

“Corpo Fechado” possui um sabor diferente de todos os filmes relatados aqui. Simplesmente porque ele não está ligado diretamente a um quadrinho, mas a todos eles, bem como aos seus fãs, entusiastas, críticos e pesquisadores. O filme é sobre a gênese dos heróis e trabalha perfeitamente com a simbologia dos espelhos invertidos, das contrapartes, das nêmesis – elementos comuns a qualquer mitologia heroica desde os homens das cavernas. Dirigido com maestria por Shyamalan, possui as fortes e “graves” vozes interpretativas de Bruce Willis e Samuel L. Jackson criando um dos mais cerebrais jogos de protagonista/antagonista do cinema.

4. Homem-Aranha (Sam Raimi, 2002)



Sam Raimi é um fã que recebeu o direito de dirigir seu herói favorito. Ele não só fez um dos melhores filmes-spandex da história, causando um enorme frisson que levou fãs e entusiastas a incomuns sessões de cinema às 10h da manhã, como praticamente definiu as regras de como apresentar um herói ao público que talvez o desconheça. Sua fórmula foi seguida por praticamente todos os outros filmes que vieram depois – alguns com mais e outros com menos sucesso – e o filme foi o primeiro a quebrar recordes de bilheteria, transformando Homem-Aranha, um herói já bastante popular, a se tornar uma mitologia moderna solidificada na memória de qualquer um.

3. Os Incríveis (Brad Bird, 2004)



Brad Bird é um fã de quadrinhos. Ele falando isso abertamente ou não. Desde “Gigante de Ferro” – com todas as referências à mitologia dos quadrinhos, inclusive ao Superman – sentimos seu forte pé na arte sequencial das grandes editoras. Mas somente com a história da família super-heroica que se esconde da sociedade que um dia protegeu foi que isso deixou de ser uma mera alusão para passar a ser uma verdade absoluta. Mesmo os personagens não tendo surgido nos quadrinhos, tudo o que se relaciona ao gênero está lá – e da melhor forma, misturando drama, aventura, ação e personagens carismáticos. Realmente um dos melhores do gênero.

2. VingadoresThe Avengers (Joss Wheedon, 2012)



Há algo realmente excepcional nesse filme. Ele era tão esperado quanto os primeiros quadrinhos de grupo foram anos atrás (incluindo Os Vingadores), nos quais há sempre aquela promessa de “comprar vários super-heróis pelo preço de 1”. Esse filme tem isso. Ele é a sequência lógica de Homem de Ferro, Thor, Capitão América e Hulk, um filme de introdução à Shield e um filme dos Vingadores. Ou seja, um épico spandex que possui todos os elementos que deve ter: uma história veloz de objetivos claros, uma ação empolgante, personagens com seu peso em tela e atividades bem divididos e muitas, mas muitas explosões mesmo. Vendo pela conjuntura maior, de que este é um filme ousado pelo risco de reunir várias franquias – algumas com mais e outras com menos sucesso – e que sugere uma história única que também é a eclosão de várias outras, o filme entra para a história por ter realizado um feito nunca antes trabalhado no cinema – nem mesmo por STAR WARS – o que já valeria ir vê-lo, mesmo que um fracasso. O que não é o caso. Além de bem feito, ele também diverte, pois pega o espírito, a atmosfera e a alma colorida e intensa das HQs mais clássicas do supergrupo, misturando o “antigo” ao “moderno”, numa incorporação ideal dos melhores elementos dessas duas “eras”. Sob muitos pontos de vista, Vingadores é uma HQ clássica em película. Nota máxima para Marvel, que fincou – com força – a bandeira de seus heróis no cinema. O segundo filme já foi anunciado e, por conta da incerteza de seu diretor em continuar na franquia, sugiro aqui um substituto: Brad Bird.

1. Superman (Richard Donner, 1978)



Não há como negar a importância desse filme. O primeiro de muitos tinha de ser do herói spandex original, o primeiro super do panteão. Assim como Batman de 1989, Superman já está excessivamente datado, com seus efeitos e falas ultrapassados e estranhos ao público atual. No entanto, o iconismo das atuações – não somente a magistral performance de Christopher Reeve, que realmente nos fazia acreditar que Clark e Kal-El eram pessoas diferentes, mas de todo o elenco – o ineditismo da película e o respeito à obra original, suas ideias e motivações, fazem desse o mais importante filme spandex que existe, ajudando a criar um semi-deus moderno, existente na porção social de cada indivíduo do mundo assim como sabemos que água é pra beber e comida é pra comer. O mito máximo contemporâneo.

QUEM MERECIA, MAS NÃO ESTÁ

Hellboy (Guilhermo Del Toro, 2004)
Porque merece… além de ser uma história de aventura de primeira, toda a ação do filme parece muito com a estrutura de uma história de quadrinhos, com movimentos bem mostrados em tela e “splash pages”, dando um caráter divertido à obra de Mike Mignola.
Porque não está… apesar dos pontos a favor e da ótima sequência, o filme não traz novidades e se usa de uma estrutura comum a qualquer outro filme spandex. Vira um dos herdeiros de Homem-Aranha, mas dificilmente assumiria o legado do antecessor.

American Splendor (Shari Springer Berman, Robert Pulcini, 2003)
Porque merece… Harvey Pekar foi um dos maiores baluartes dos quadrinhos undergrounds. O filme tenta resgatar sua importância para as HQs de uma forma geral, relembrando sua vida e pensamentos em uma direção competente que mistura sua obra com sua rotina – amálgama presente nele enquanto vivo. Além de ser um dos poucos ótimos trabalhos sobre quadrinhos autorais.
Porque não está… o forte caráter autobiográfico e os maneirismos hollywoodianos me fizeram retirá-lo da lista – irônico, não? Afinal, minha lista está bem pop – fora que ele acabou se tornando o filme de um nicho tão fechado que ele não é “filme-spandex”, é filme arte.

V de Vingança (James McTeigue, 2005)
Porque merece… Um dos melhores filmes políticos do cinema é um drama baseado num dos quadrinhos mais geniais do mundo, e chatos também, defeito que a película soube corrigir prontamente. Com uma trama dinâmica e bem elaborada, e um drama elevado ao máximo pelas atuações impressionantes de Hugo Weaving e Natalie Portman o filme é quase a melhor adaptação de um quadrinho do mago.
Porque não está… porque “Watchmen” pegou seu lugar.

Batman Begins e Batman Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2005 e 2008, respectivamente)
Porque merece… Transformar Batman num combatente ao crime real, dando integridade, drama e consistência a uma justiceira (e louca) causa, trazendo sua merecida honra do cemitério hollywoodiano onde Joel Schumacher havia enterrado, não é uma vitória, é um milagre. Nolan ressuscitou Batman e, de quebra, fez a melhor versão do personagem no cinema de todos os tempos.
Porque não está… apesar dos rasgados elogios, não considero os Batman de Nolan filmes baseados em quadrinhos. Na verdade, são filmes sobre ideias, motivações, e sobre um combatente do crime que, por ventura, se chama Batman, mas ele poderia ser o Cavaleiro da Lua, Darkman, Demolidor, Besouro Verde etc., mas falta algo que me dê segurança de chamar esse personagem de Batman. Falta uma tristeza, uma obsessão, uma dor e um foco excessivo na “causa”. Nolan fez dois ótimos filmes policiais, mas não fez nenhum filme spandex pra mim.

Persepolis (Vicent Paronnaud, Marjorie Satrapi, 2007)
Porque merece… é inegável a qualidade do quadrinho de Satrapi. Toda a inocência dos primeiros anos de uma jovem vivendo em um mundo onde a liberdade de pensamento – e vida – é ceifada brutalmente em nome de uma causa não clara, aparentemente absurda e sem esperança de mudanças faz seu trabalho ser de uma sensibilidade – e documentação, diga-se de passagem – ímpar. Um dos 10 melhores quadrinhos do mundo.
Porque não está… simplesmente porque ainda não o vi. Não tenho como julgar então.

O Corvo (Alex Proyas, 1994)
Porque merece… baseado na graphic novel de James O’Barr, o último filme de Brandon Lee conseguiu criar uma atmosfera que mistura terror/super-heroísmo/mediunidade/shamanismo/mistério/tom gótico que até hoje ressoa em filmes, quadrinhos e jogos como Matrix, Batman Begins/Cavaleiro das Trevas, Devil May Cry, Spawn etc. Verdadeiro clássico pop e um dos retratos mais crus da fantasia de uma época
Porque não está… “Sin City” pegou seu lugar.

Outros filmes spandex que acredito que poderiam estar nessa lista: Hulk (os dois), Quarteto Fantástico (os dois), Blade (o primeiro), Superman: O Retorno e X-Men: First Class.


Filmes que nunca deveriam estar em lista alguma: Batman de Joel Schumacher, Demolidor, Justiceiro: Zona de Guerra, Motoqueiro Fantasma, A Liga Extraordinária, Spirit e Mulher-Gato.

PUBLICANDO INDEPENDENTE

“Eu comecei assim, fazendo por mim mesmo”

Antes de iniciar esse artigo é preciso fazer uma pergunta: o que é “quadrinho independente“? Eu já vi diferentes interpretações – todas muito válidas por sinal -, mas para evitar delongas e citações, eu tratarei quadrinho independente da seguinte forma:

“é o trabalho feito sem o envolvimento de um editor”

Parece simplista demais, tendo em vista que muitos imaginam que a “real” definição vem de uma prerrogativa econômica – lançar sozinho, tirando do próprio bolso, mas parando pra pensar a grana pode vir de qualquer local, desde financiamento paterno a ganhos por editais de cultura – mas eu não vejo assim. Bem como “editor”, do jeito que acredito que tem de ser, é uma figura semelhante a Sérgio Bonelli, que estava presente em todas as partes do processo de produção, dando pitaco – criativo, mercadológico etc. – do roteiro à distribuição.

Pensando dessa forma, surge logo a dúvida: “se não tem editor, quem exerce essa função?” – elementar – o próprio artista, o qual, novamente simplificando tudo, não chamo de editor porque muitas vezes – ou, na maioria das vezes – produz se utilizando de seu critério pessoal e não possui muita noção de outras partes do processo, ou seja, sabe escrever/desenhar/colorir, mas não entende de impressão ou distribuição ou público-alvo e vice-versa.

Quando se está sancionado por uma editora – e, porventura, um bom editor – as questões de quem/como/onde a veiculação da obra vai ocorrer são meio irrelevantes porque não viram uma preocupação prioritária do autor. A editora sabe quem se interessaria por aquele material (inclusive aqueles que nem fazem ideia de que ele existe), qual o melhor formato a esse público e como chegar até ele. Inclusive, tendo uma noção a curto, médio e longo prazo do sucesso – e do insucesso – que o trabalho pode atingir. Quando se faz a coisa por si só, no entanto, isso meio que foge ao controle do produtor e acaba sendo o maior problema de quem faz as coisas no meio “independente”.

E essa “parte final do processo” é que acaba sendo realmente relevante e influenciando todo o resto: valores, formatos, impressão etc. Por isso, antes de sair empolgadíssimo pensando em imprimir na gráfica da esquina toda sua megassaga de 300 páginas, pense em quem, como e onde sua história vai estar.

DESCOBRINDO-SE

Vai parecer meio rude o que vou dizer, mas é preciso ter vergonha na cara – além de coragem, claro, e um bom plano – pra admitir seu lugar nos quadrinhos. Pense bem: você é Mark Waid? Adam Hughes? Danilo Beyruth? Daniel Brandão? Alguém além dos seus colegas de sala e família conhecem seu trabalho? Você participa de alguma rede social de desenhistas como o deviantart ou o CGHub e possui mais de 1000 acessos em cada, consegue ter pelo menos 30 acessos por mês? Você tem um blog? Trabalha pra alguma editora/agência de publicidade/estúdio/estamparia? Já montou um portfolio? Não? Então, meu caro, por que eu iria atrás do seu trabalho? No que ele seria relevante pra quem já leu Watchmen ou Cavaleiros das Trevas ou Turma da Mônica? Antes de publicar qualquer coisa em qualquer canto, seja como for, é preciso que essas perguntas possam ser respondidas, perguntas que se resume a uma – repetindo as palavras de Scott McCloud – “Qual seu lugar nos quadrinhos?”

Você acha que tem boas histórias a contar? Ok, convença-me: conte uma história interessante em uma página ou em duas ou em quatro. Escreva um conto em três páginas e divulgue. Mostre ao mundo que suas ideias podem ser modernas, novas, criativas e interessantes e que você pode ser até um bom “reciclador de ideias”, fazendo o que era bom/razoável/ruim ter um aspecto interessante e não somente repete as fórmulas dos 2000 enlatados que assiste/lê por dia na internet ou TV. Divulgue-se.

Vitor Cafaggi passou alguns anos produzindo gratuitamente
Punny Parker até ser conhecido e poder fazer as próprias
obras com a certeza de que iria ter algum retorno, tanto
em sucesso quanto financeiramente.

Na verdade você sabe que não é um grande contador de histórias, mas que pode ser um ótimo narrador de quadrinhos e tem um desenho bonito e estiloso? Ora, então procure alguém que tenha boas histórias e conte-as! Sempre há roteiristas precisando de desenhistas. Na pior das hipóteses, veja que obras já estão em domínio público e reconte-as do seu jeito. Divulgue-se.

Não importa como, o que importa é que você tem uma habilidade que muitos não têm e essa habilidade é a chave que vai te levar ao primeiro passo de sua jornada: ser conhecido, fazer com que as pessoas queiram ter mais de você. Uma vez esse objetivo atingido é hora de delimitar sua área de alcance.

LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO

Quando se tem um trabalho feito, tudo o que se quer é que ele chegue a alguém, que as pessoas leiam, apreciem, mandem algum retorno. Com relação a isso não existe ambiente melhor do que a internet. Fácil e gratuitamente você pode montar um site/blog/perfil em rede social em que tudo o que você faz é postar seu trabalho. Com os tablets e ipads da vida isso ampliou o alcance e as possibilidades. Mesmo assim ainda tem gente que se perde no caminho das pedras. Como? Se sua obra é boa, se seu desenho é legal, se sua vontade não acaba, como as pessoas ainda não te viram? E mais importante: como fazer para que vejam? Conversando com bloggers e gente que possui algum retorno on line, pude identificar algumas atitudes que os ajudam nisso:

Will Tirando é um exemplo de site com design simples, bonito
e com conteúdo da hora!

1. REGULARIDADE. Decida um momento em que você vai postar algo e mantenha-se nele. Pelo que notei, o tempo entre uma postagem e outra define muito bem o retorno de visualização – claro que ninguém vai forçar a barra e publicar 20 trabalhos por dia, um a dois por dia é um bom número, 3 vezes por semana é excelente e uma vez por semana é aceitável, mais ou menos que isso é correr o risco de perder público.

2. BELEZA, DESIGN E SIMPLICIDADE. Outra coisa importante é como você vai mostrar seu trabalho. Pense em um design minimamente atraente e que combine com aquilo que você está oferecendo. Serviços gratuitos costumam ser bem limitados quanto à personalização de seus ambientes, mas podem ser uma grande chance de oferecer simplicidade em um visual criativo. Sempre mostre o design de seu site à outra pessoa e escute opiniões. Às vezes o que você acredita ser “muito massa” é poluído e desagradável. O WIX é uma boa opção para quem gosta muuuuito de personalizar e sabe utilizar o flash.

Um Sábado Qualquer de Carlos Ruas investiu bem
em subprodutos.

3. SUBITENS E MERCHANDISING. Outra opção comum em blogs é a venda de subprodutos como blusas, chaveiros, agendas, bonequinhos etc. Para quem está começando acho um pouco difícil pensar em algo como os dois últimos itens, mas os primeiros costumam ser um investimento de baixo orçamento e com um retorno considerável se você tiver visitas de pelo menos 50 pessoas ao mês. Caso contrário não custa nada fazer parceria com alguém que faça trabalhos manuais e ambos dividem custos e lucros. Pensar também em um joguinho on line ou outras formas de diversão interativa pode vir a trazer positivos e inesperados resultados. Um bom site nacional de serviço para trabalhar com contas na internet é o PAGSEGURO.

4. PROMOVA-SE SEMPRE. Vá a eventos, convenções, entre em outros sites, compartilhe nas redes sociais, visite estúdios de outros artistas, divulgue, mostre. Não há limites pra isso, mas não deixe de fazê-lo, porque é algo essencial.

MATERIAIS IMPRESSOS

Apesar de toda a interatividade, há aqueles que preferem os bons impressos – e não são poucos – pois, por alguma razão os materiais impressos mantém-se quase como itens colecionáveis únicos, como se feitos especificamente para cada um que os comprasse; um pensamento bem peculiar, mas válido. Afinal, se na internet é de todo mundo, o impresso é único e de propriedade, “cuidado e compartilhamento” somente daquele que o comprou, ou seja, há uma satisfação individual e fetichista de ter uma material físico. O simples fato de ele ser independente – e, por isso, limitadíssimo – faz com que adquiri-lo se torne algum tipo de “vitória de poucos”, mas, enfim, longe de mim ficar aqui procurando as razões das pessoas ainda quererem papel.

A verdade é que sem o auxílio de uma editora, tudo o que o autor precisa é… gastar, mesmo que a grana não venha dele! Destinar parte do impresso a pessoas-chave que façam alguma divulgação, como sites de podcast, críticos de jornais/revistas/blogs etc., é uma boa saída para se fazer conhecido – e neste instante, cabe aqui a lição máxima: “falem mal, mas falem de mim e indiquem meu site”. Fora, logicamente, toda a publicidade que pode-se fazer na rede mundial ou fora dela. Depois disso, é concentrar-se em manter “pontos de venda” que tanto podem ser seu próprio site, como alguma banca ou loja onde você consiga fazer parceria e tire uma porcentagem menor que a comum (uma das médias pra perda em banca é de 25% o valor de capa para o vendedor, por exemplo).

Apesar disso, possivelmente os melhores lugares para venda de quadrinhos independentes impressos ainda são as convenções e encontros, onde o público participante está realmente à procura do gênero. Então, fique atento aos eventos os quais você pode participar e ter alguma visibilidade, como o FIQ. Certas vez os irmãos Bá e Moon falaram que no começo de sua carreira gastaram uma nota preta somente indo a festivais no mundo inteiro e… bem, funcionou pra eles, né? Três dicas básicas a quem decide ir pra evento e divulgar seu material: seja sempre cordial, venda seu próprio material – as pessoas sempre desejam falar com os autores e pegar autógrafos – e separe cópias pra quem possa ser uma boa divulgação pra você.

Pois bem, pessoal, é isso. Espero que o texto possa ter esclarecido algumas dúvidas e aberto à mente de que é possível fazer acontecer sim, só leva tempo, dedicação e disciplina.

Até o próximo texto!