PAPO RPG: DUNGEONS & DRAGONS 5ª EDIÇÃO?


Mudanças, todos parecemos temê-las de alguma forma. E não é que um dos hobbys mais NERDs do planeta está para mudar? Dungeons and Dragons, um jogo baseado na cooperação entre pessoas que imaginam e interpretam o papel de heróis está prestes a ganhar sua nova edição.

Nova edição é sinônimo de caça às bruxas. Foi assim com as edições anteriores e é assim hoje. O “mimimi” de jogadores de RPG (jogo de interpretação de papéis, categoria em que o Dungeons and Dragons se encontra) já é algo habitual.

Em suas várias edições presenciamos a batalha ferrenha entre entre jogadores e edições. Grupos vendo dragões em edições mais novas e princesas puras e virginais em suas edições “ultrapassadas”. A guerra das edições, estranhamente não promovida pela antiga TSR ou pela atual Wizards of the Coast/Hasbro é orquestrada por jogadores e mestres presos a visões no mínimo estreitas.

O que já foi dito é que essa 5ª edição buscará ser o amálgama de todas as outras. Reunir o “feeling” do maior e mais famoso RPG da galáxia numa única edição através de um Frankestein das edições anteriores. As direções apontam para um D&D customizável, onde integra-se os elementos e regras que aquele grupo deseja, mas sem tirar o gostinho de hack ‘n slash clássico de D&D.

A opinião do Mestre da Masmorra é uma só: “É muita bola de fogo para pouco kobold!”. A 4ª edição não possuiu um tempo de amadurecimento. O testes de implorar dos que se julgam old school fizeram até com que uma linha chamada Essentials fosse desenvolvida para acalmar as banshees que choravam pela 3.5. Antes de ver as vantagens incontestáveis para o Mestre e para o gameplay – o jogo realmente ficou cooperativo pela primeira vez em uma década – preferiram apelar com feats e combos podres que alegavam perda do flavor, perda da interpretação (como se a 3.5 fosse isso ou mesmo D&D), D&D MMO, preferência pela aberração altamente videogame da Paizo, enfim, uma hora tinha de acertar a defesa de Vontade da Wizards/Hasbro.

De repente, e mais uma vez, parece que nós, jogadores e mestres experientes, perdemos a percepção de que um bom jogo se faz com bons mestres e jogadores e não com edições. 90% das afirmações que ouvi e ouço de pessoas reclamando da 4ª edição são risíveis, no mínimo. Elevando edições anteriores ao status de divindade vamos aos poucos nos tornando os sacerdotes de crenças obscuras que vez por outra enfrentamos em sessões de jogo nos finais de semana. Somos nosso próprio dragão, deitados sobre aquilo que julgamos ser nosso tesouro. Liches julgando que uma edição é a nossa filacteria. Mas e quando os novos aventureiros chegarem? O que faremos?


A verdade é que mudanças, chorem ou não os adeptos da 4ª edição estão por vir. Pelos motivos errados, mas estão por vir. As mudanças apontam para um portal mágico, mas na prática não vai ser apenas rolar um d20. Como todas as edições anteriores de Dungeons and Dragons, haverá sucessos decisivos e falhas críticas na concepção da nova edição. De qualquer maneira, já estou vestindo a armadura e com os dados na mão. O que quer que venha por aí, que seja D&D!



Bruno Palhano é mestre/jogador/estudioso/criador de RPG de diferentes sistemas desde eras imemoráveis. Ele possui mais miniaturas e dados em casa do que existem jogadores de RPG no mundo. Nos tempos livres, ensina às mentes jovens os segredos da leitura e produção de literatura de verdade. Alguns aprendem e chegam ao 20º nível de seres humanos, outros não…
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CADA UM A SEU MODO de Júlio Belo

Sempre penso que as melhores obras podem ser definidas em poucas palavras. Apesar do título longo, “Cada um a seu modo“, de Júlio Belo, um dos integrantes do bem sucedido The Comics Café, pode ser definido em uma: ‘poesia’. É essa a sensação que o livro causa de suas primeiras páginas até as últimas. Ele possui a leveza de um livro de poesias, sem se preocupar se segue a jornada do herói ou não, sem ligar se está ajustado a alguma cartilha ou manual de “como fazer quadrinhos” e, por isso, acerta maravilhosamente em seu produto final.

Em formato grande, o livro possui três histórias: ‘Sofia’, ’50 por hora’ e ‘A frase riscada’, em cada uma delas os personagens principais são pessoas incrivelmente comuns em narrativas mais normais ainda. Este “despretensiosismo” é a grande sacada do álbum, pois a identificação com as situações e pessoas das histórias – magnificamente bem feitas em um traço limpo e belo, com seus detalhes harmônicos bem encaixados em um desenho que nunca cansa e que merece ser revisitado sempre – é imediata, tornando a obra completamente atemporal e com idade indefinida, servindo a todo e qualquer público.

Falando rapidamente sobre cada um dos “poemas”. Em ‘Sofia’, somos levados a compartilhar um dia da vida da garota do título, uma criança que espera pela chegada do pai. Aqui, o passar do tempo e o caminhar da história são completamente imersivos, onde a proximidade com a personagem é tão forte que a “câmera” mantém-se quase sempre à altura da garota e cada um de seus movimentos são seguidos, numa verdade rotineira tão segura que o desfecho, apesar do impacto “sonoro” que ele gera, chega a ser pouco importante. O caminhar das pequenas coisas, tendo nisso a protagonista como condutora desse detalhe, é realmente o mais relevante.

Melhor texto ilustrado do álbum, ’50 por hora’ é um conto agradável de final deveras impactante – ao menos foi pra mim – nele há mais sons – e até esse momento é interessante ver como o autor se usa desse detalhe em seus quadrinhos, a sinestesia das onomatopeias (ou a falta delas) é uma daqueles caracterísitcas relevantes que ajudam a levar a história pra frente e abrem precedentes interessantes nas possibilidades das abordagens mais tradicionais da 9ª Arte. Este não deveria ser muito comentado. Deve ser lido pra ser sentido.

‘A frase riscada’, conto que fecha o trabalho, talvez seja o que mais gere “ruídos” – seria isso possível num material tão curto? – Em resumo, conta a história de um escritor que volta a sua cidade natal e como relembrar o passado muda os rumos de seu futuro. De todos é o que mais segue a cartilha de “como uma história deve ser contada” (por mais que eu odeie o termo), mesmo assim, Júlio o faz com o mesmo espírito dos outros e isso sim é o grande diferencial desse conto e de todo o quadrinho.

Uma coisa mais deve ser lembrada sobre o álbum: a riqueza e precisão com que o cenário é feito. Muitos autores inserem o cenário em suas histórias e esse parece plástico, um detalhe irrelevante em meio a milhares de outros rabiscos que em nada acrescentam, mas Júlio Belo consegue, com a maestria dos grandes, dar integridade e força ao cenário, colocando-o como um coadjuvante agradável que dá um diferencial a cada história, seja na ida de Sofia do universo micro de suas coisas ao macro de seu bairro e de seu ambiente final, seja no macro do mundo social em que começa ’50 por hora’ até o micro de sua conclusão, chegando enfim a ‘aldeia do planeta’ em ‘A frase riscada’, onde um ambiente específico se torna qualquer lugar do mundo, o autor eleva o ambiente, enriquecendo em muito suas histórias.

‘Cada um a seu modo’ pra mim teve um significado único, pois foi a primeira vez que vi lugares comuns a mim, que pertencem às coisas que vivo (e arrisco dizer, amo), impressas com a delicadeza e carinho que merecem. Esse comentário me fez ser suspeito, pois acabei de elevar um grupo o qual adoro pertencer: o de fortalezenses. Mas acho que o quadrinho de Júlio Belo serviu realmente pra isso: pra que cada um de nós, muitas vezes ‘autodiminuídos’ pelas desigualdades e mazelas que vivemos, olharmos pra nós mesmos e nossa cidade, diminuirmos os passos e vermos que não há nada mais belo que as pessoas e o lugar que agregamos no significado da palavra ‘lar’.

SELO 80’s

TEMPO DE REFORMAS

Como já é de costume, vou dar uma paradinha para organizar o blog e trazer algumas novidades. Então vocês não vão ver tantas postagem assim aqui até pelo menos março. Mas tenho certeza que quando eu voltar muita gente vai ficar hiper feliz.

Só avisando que a promoção Z&A foi por água abaixo – acabou que só recebi 1 desenho… digamos… impublicável… – sendo assim, furou a promoção, mas eu faço o convite a quem quiser fazer um desenho para eu usar como header, fique à vontade. Quem o fizer receberá a devida divulgação e produtos do site. A única coisa que exijo é: esse ainda é um blog aberto ao público, por isso, mantenham restrições para eu não criar restrições, ok?

Abraço, galera e até depois do carnaval (ou não).