Lady’s Comics ou Quadrinhos para Senhoritas e Senhoras

Há algum tempo tenho andado um pouco ocupado e, por isso, lendo mais do que escrevendo. Isso me concede um tempo para procurar uma coisa ou outra interessante na internet. Um dia, então, meio que sem querer eu encontrei “um” site de “umas” meninas que resolveram falar sobre a 9ª Arte e outros gêneros ligados a esta.

Lady’s Comics é mais que um site, um blog, uma central de artigos. Ele é uma verdade – até meio incômoda para alguns – que elas realmente estão aí – sim, rapaz, “elas”, as mulheres – e fazendo um trabalho incomparável.
A premissa básica do site é a premissa básica de milhares de outros (inclusive deste que vos escreve): um ambiente eletrônico para se discutir, divulgar e estudar a nona arte, ilustração, animação, etc. No entanto, com um certo viés: Mariamma, Samanta e Luciana são especialistas em figuras femininas deste universo artístico. E fazem o negócio como especialistas.
O primeiro acerto vem no design do site. Limpo e leve, bem diferente de toda a energia caótica, multicolorida e – por que não dizer – poluída de vários sites e blogs do gênero. O tom de cor claro e o desenho de Lu Cafaggi (lembram do irmão dela? Ele já esteve aqui) dão aquela sensação de calmaria e convidam você a ler os textos, naquele bem pensamento bem oriental de “não espere o fim do texto, vá curtindo o ambiente e cada linha escrita”, deixando qualquer um completamente à vontade para se envolver naquele espaço, sem pressa, sem atropelos, sem aperreios.
E se você, “machão”, acha que o que vai ler é um bla bla interminável feminino sobre coisas bobas e impressões superficiais acerca de um assunto que elas pouco entendem, então, meu caro, você errou feio! Os textos das meninas além de sintéticos (qualidade que me falta, mas admiro e respeitosamente invejo quem a tem), são precisos e ricos de informações, referências e imagens. Nada é feito irresponsavelmente, pelo contrário, mesmo quando a opinião pessoal das escritoras é, de alguma forma, expressa no texto, é colocada de maneira discreta, com uma educação que o Criador só concedeu ao sexo feminino. Elas se mostram especialistas, já que é possível perceber que há pesquisa, contato com o material e envolvimento com o que está sendo apresentado.
Apesar de tudo, e na afirmação não há uma crítica negativa, a intenção das meninas é revelar, dentro desse mundo aparentemente tão nerd-masculino, a persona feminina em suas variadas formas: personagens, pessoas, autoras, editoras, contribuintes e simpatizantes. Não importa de onde venham ou como fazem, há mulheres do Oriente e do Ocidente, sem esquecer Europa e Brasil. Proposta que elas realmente seguem com uma precisão jornalística e respeitosa. Pelas palavras das autoras:
A ideia é simples: falar das mulheres que estão presentes (ou que já se foram) no universo da Banda Desenhada. Mostrar que também frequentamos esses lares e que o fazemos em grande estilo! Viemos pra falar das personagens, das autoras, das desenhistas e do que há de novo feito por Ladys’Comics!
E aí há uma pequena revolução que muita falta fazia ao mundo dos quadrinhos. Algo bem maior e significativo do que colocar mulheres fazendo seu padrõezinhos americanóides com personagens altamente masculinizados, não importa o gênero (sim, Marvel, essa foi pra você). Não é conceder um direito, não é abrir um espaço, é realmente aceitar que há uma força feminina que movimenta toda essa indústria e, muitas vezes mais que muitos outros, o faz de maneira integralmente artística, dobrando os tais padrões a uma visão sensível que só pode ser estabelecida com uma porção de feminilidade obviamente inerente a elas. Mais que uma mera atitude ou movimento, o que as senhoritas Fonseca, Coan e Cafaggi fazem no Lady’s Comics é firmar algo que não deveria precisar de afirmação: o lugar de honra que essas mulheres têm, não só no mundo dos quadrinhos, mas em nosso mundo de “nerds-machos-bobões”.
Parabéns pelo trabalho meninas. Não direi “sejam bem vindas” a este universo, mas “vocês demoraram a aparecer“.
Este post é dedicado a minha noiva, uma mulher que luta pelo direito das mulheres, principalmente aquelas que sofrem violência doméstica, e que pra mim é um exemplo de dedicação e forma de pensar acerca dos problemas sociais e abriu meus olhos para o mundo que eu sequer sabia que existia. Valeu, Amor.
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Pensando no Presente e Futuro ou Obras Transmidiáticas

Criar é uma caixinha. Sim. Diferente do que muitos pensam o ato de criar é uma pequena caixinha feita de um material específico e único para cada um. Essa caixinha possui as bases para toda a obra. Muitas vezes é só uma frase, como “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades“, ou conceitos, como “Homem de Aço“. Enfim, a base que sustenta toda uma estrutura maior está dentro de uma caixa segura, confortável e forte. O resto é tijolo, madeira, cimento e tinta.
No entanto, ter sua ideia em uma caixa não quer dizer que ela deva ficar o tempo todo NA caixa ou ter o diminuto tamanho desta. Eu realmente não acredito em obras que se limitam a tomar um espaço, um veículo, uma mídia. Talvez no século 17, hoje não. Uma boa história deve conhecer todas as maneiras de ser contada, ela deve alcançar todos os lugares possíveis e impossíveis. Nenhum trabalho deve ser fixo ou restrito a um único público e formato.
Games, vídeo, quadrinhos, cinema, paredes de parques, rolos de papel higiênico (que foi?), todos esses e outros são formas de mídias e todos podem ser utilizados para contar uma história. Fico imaginando se, ao invés dos enormes cartazes da TIM que tomam metade de um prédio no Centro de Fortaleza – ou em qualquer cidade que tenha esse tipo de coisa -, tivesse uma tira de Calvin e Haroldo, especialmente feita para aquele cartaz e com uma genial mensagem de Watterson – talvez até sem texto -, quantas pessoas seriam atingidas pela sabedoria do bom cartunista e que tipo de pessoas poderíamos formar com isso?
Acho que prender uma obra a um único espaço de mídia é colocá-la em um pedestal purista insensato e, por que não dizer, atrasado. Um bom livro sempre será imortal – vejam os casos de A Odisséia, A Divina Comédia ou Memórias Póstuma de Brás Cubas -, mas um filme inspirados nesses livros ou uma série de TV que tenta, o mais fielmente possível, transportar essas obras para o formato gravado, consegue algo tão e talvez até melhor que a imortalidade: popularidade.
Guillermo Del Toro, diretor, entre tantas coisas boas, de O Labirinto do Fauno e os dois Hellboy, recentemente deu uma entrevista dizendo que gostaria de tentar várias formas de narrativas, desde cinema, passando por quadrinhos, jogos e livros. Peter “O Um Anel” Jackson também já houvera comentado o desejo de se envolver com jogos. Acho esses posicionamentos e opiniões uma visão madura e pé no chão dos caminhos que a arte narrativa pode (e deve) chegar. Senhor dos Anéis deixou de ser um livro pra ser uma obra transmidiática – hoje temos de quadrinhos a jogos on-line – até com contas gratuitas! Um dos filmes mais comentados do ano, A Origem, além da película lançou um quadrinho on-line completando espaços deixados na história. Isso para comentar exemplos de cineastas que perceberam a importância de se colocar e até mesmo ligar (ou linkar pra ser mais fresc… cool!) eventos narrativos únicos, mas interligados ou não, de um mesmo universo.
Diferente de uma pura estratégia de mercado, acho que esse tipo de atitude possibilita um maior número de opções e formatos para uma história, um conceito, uma ideia etc e, com isso, mostra que qualquer espaço pode ser um espaço narrativo. Assim, um filme que apresenta aquela ideia da caixinha e amplia essa mesma para tiras on line, quadrinho impresso, livros de contos, podcasts, blogs, só pra falar em mídias mais comuns, consegue atingir uma quantidade muito maior de público e não só imortaliza o conteúdo da caixinha, mas faz com que este seja conhecido por todos.
Sei que uns 20% de pessoas vão dizer “e aqueles que não tem internet ou dinheiro pra lan house?“. Bem, aí eu mesmo proponho uma ideia: se uma editora resolve investir toda sua grana em um outdoor furreca com uma capa sobre um fundo de cor chifrim e o nome do autor bem grande que muitas vezes vende muito mais que a obra em si, tipo “Caulo Poelho“, porque não investir em uma forma de se contar a história – ou parte dela ou um conto no universo dela – naquela mídia? Ou comprar uma parede de um local onde passam muitas pessoas e inserir uma tirinha por lá? Sério? Por que um veículo narrativo deve ser único e imutável? Por que TUDO não pode ser uma “página em branco” e se transformar em um espaço criativo de veiculação de histórias?
Enfim, são ideias e devaneios de um narrador que sempre quer tudo muito além da caixinhas e que não apoia atitudes como as do digníssimo Alan Moore – e que fique bem claro aqui que este redator admira de muitas formas suas obras, mas odeia sua postura e bobagens profissionais – que deveria sim pegar os direitos de Watchmen entre outras coisas que ele fez e mandar ver em outras mídias aproveitando toda sua “genialidade” em espaços muito além dos oferecidos pela sarjeta.
Desculpem o atraso nos posts galera. Até semana que vem.

EXTRA! EXTRA! TRAGAM SEUS QUADRINHOS!


Olá, leitores, seguidores e fãs da 9ª Arte!

No último sábado, 4 de setembro, produtores, amantes e divulgadores da 9ª Arte se reuniram na Gibiteca de Fortaleza para mapear o movimento quadrinho em Fortaleza, avaliar e discutir possibilidades de publicação em Fortaleza. Nessa reunião estiveram presentes: Paulo Amoreira, JJ Marreiro, Weaver, Marcílio S., Denilson Albano, Fernando Lima, Einstein, Diêgo Silveira, Rédi Roger, Mário Enderson, Everton Little Ton, Falex, Diêgo José, Dom Cabral, Luís CS (eu), dentre outros.
O principal assunto foi o projeto HQFor – título provisório que tenta aproveitar uma verba pública da prefeitura destinada à publicações para desenvolver projetos ligados a quadrinhos. Paulo Amoreira soube da existência de tal “fundo” e reuniu o Fórum para articular este projeto a ser apresentado à Secultfor. O projeto objetiva a publicação de 12 revistas de 20 páginas cada (4 capas e 16 páginas de miolo), colorida ou não (dependendo do estilo de cada autor), tamanho A5. Serão 1000 exemplares organizados em uma caixa e Weaver sugeriu que sejam feitas 500 caixas e que cada autor receba uma caixa e 500 exemplares de sua publicação para poder distribuir e vender como quiser.
A idéia é que essas 12 revistas funcionem como mapa do que, como e por quem os quadrinhos são feitos em Fortalza, por isso não há NENHUMA restrição de gênero ou estilo. As restrições são apenas de formato, número de páginas e o fato dos autores terem que ser todos de Fortaleza. Eles devem estar vivos e terem nascidos aqui ou residirem aqui por mais de 2 anos.
E agora, tio Luís, como faço pra participar?

Siga as seguintes instruções:
Os trabalhos podem ser feitos individualmente ou em equipe;
O projeto deve ser apresentado em quadrinhos com uma só história ou histórias curtas ou tiras, contanto que o total de páginas somem 16 (arte em lápis ou esboço é válida, contanto que fique claro o que está escrito e desenhado e já mostre como o quadrinho vai ser). Elas devem ser entregues para o conselho em TRÊS vias impressas em A5. Apresentar uma capa é opcional;
Os autores terão um mês para entregarem os projetos na Gibiteca de Fortaleza. Não esqueçam, pelamordeDeus, de incluir nome, endereço, contato, um breve histórico sobre os autores e descrição da HQ. Qualquer material a mais é válido como sketches de personagens ou roteiro à parte. Incluam como anexos;
Paulo Amoreira, Weaver e Jesuíno serão os responsáveis pela seleção;
O fórum pretende se reunir, pelo menos uma vez por mês, no primeiro sábado de cada mês, à tarde (por volta das 16h), na Gibiteca de Fortaleza.
O calendário definido para as reuniões do Fórum e avaliação das HQs é o seguinte:
25/09/10 – 16hs – reunião extra do Fórum. Pauta: eleição da equipe de coordenação do Fórum. Os presentes devem apresentar sugestões de futuras pautas;
02/10/10 – 16hs – deadline da entrega dos projetos para a equipe que irá selecionar as 12 publicações que se realizará de 14h às 17h, na Gibiteca de Fortaleza – Que funciona dentro da Biblioteca Dolor Barreira – Av. Da Universidade, 2572 – Benfica.;
09/10/10 – o resultado da seleção será divulgado online (http://gibitecadefortaleza.wordpress.com e por este humilde blogger). Os selecionados que tiverem que finalizar suas páginas terão cerca de três semanas para isso;
06/11/10 – deadline para a entrega do arquivo final que irá para a gráfica;
21/11/10 – As 12 publicação irão para a gráfica.
Meu povo, a hora é agora! Falem com suas mães, pais, amigos, namoradas, tranquem-se em algum lugar e CRIEM! PRODUZAM! FAÇAM! Essa é a chance de muitos divulgarem seus trabalhos e de termos cada vez mais espaço para os quadrinhos aqui em Fortaleza e, quando esse projeto der certo, no Ceará inteiro! Então, mandem ver!
Aos que querem alguma dica sobre o que fazer, segue o link da minha ideia de Quadrinho Panfleto. Vocês baixam o arquivo e desenvolvem algumas páginas nisso, principalmente o pessoal que pretende fazer mixes!
Qualquer outro esclarecimento procurem nos sites do ARMAGEM ou no blog da Gibiteca de Fortaleza.
MOVIMENTO QUADRINHOS PARA TODOS!!! FINALMENTE!!!